Nadège Labrecque
Quinta Keberica Lusitano do Canadá
Quinta Keberica Lusitano do Canadá
Nadège Labrecque e o seu marido gerem a Quinta Keberica Lusitano, na cidade de Quebec, no Canadá, onde criam cavalos lusitanos desde 2010. O que começou por ser uma paixão pela raça transformou-se num programa de criação dedicado, com cavalos importados da Europa.
“Criamos cavalos lusitanos desde 2010”, explica Nadège. “Este ano será o nosso décimo quinto potro.” A jornada em direção aos lusitanos começou após anos a montar cavalos de sangue quente. “Eu costumava montar cavalos de sangue quente”, diz ela. “Mas, como amadora e cavaleira de estatura pequena, por vezes eram difíceis para mim.” Tudo mudou no dia em que conheceu um garanhão lusitano. “Um dia fomos ver um garanhão lusitano e apaixonámo-nos imediatamente pela raça”, recorda Nadège. “O temperamento é incrível.”
Para Nadège, o temperamento do lusitano é uma das qualidades mais importantes da raça. “São cavalos que se adaptam tanto a cavaleiros amadores como a profissionais”, explica ela. Juntamente com o marido, o que começou com um único cavalo foi-se transformando, aos poucos, num programa de criação. “No início, comprámos um garanhão simplesmente porque adorávamos a raça”, diz ela. “Depois, adicionámos uma égua e, aos poucos, o programa de criação começou a crescer.”
Atualmente, a Quinta Keberica conta com cerca de quinze cavalos lusitanos. A criação de cavalos lusitanos no Canadá apresenta os seus próprios desafios, sobretudo devido ao clima e à complexidade da importação de cavalos. “É preciso ser um pouco louco para criar cavalos lusitanos no Canadá”, diz Nadège, rindo. Os primeiros cavalos foram importados de França e da Bélgica, tendo as importações posteriores vindo diretamente de Portugal. “Importar cavalos para o Canadá não é fácil, mas fomos construindo o nosso programa passo a passo”, explica ela.
Apesar do crescimento do seu programa de criação, a quinta continua a ser um projeto de paixão. “Ambos trabalhamos a tempo inteiro fora da quinta, por isso esta é, na verdade, um passatempo para nós”, afirma ela. Ainda assim, a Nadège e o marido viajam regularmente para Portugal para se manterem ligados à origem da raça. “Tentamos vir a Portugal todos os anos”, explica ela. “É importante para nós, enquanto criadores, ver de onde vem a raça e o que os outros criadores estão a fazer.”
Foi durante uma dessas viagens que a Nadège se ligou pela primeira vez às linhagens de Figueiras. “Já há algum tempo que seguíamos o Dragão das Figueiras”, explica ela. Em 2018, o casal decidiu que queria incluir um cavalo Figueiras no seu programa. Viajaram para a Bélgica, onde descobriram uma égua jovem que lhes chamou imediatamente a atenção. “Vimos muitos cavalos, mas acabávamos sempre por voltar à mesma égua”, recorda Nadège. “Ela conquistou-nos o coração.” A égua, Marquesa, foi importada para o Canadá quando tinha apenas dois anos. Pouco depois de a terem comprado, a égua já tinha provado a sua qualidade nas provas. “Depois de ter ganho uma medalha de ouro com 1 ano, levámo-la ao Campeonato da Bélgica e ela ganhou uma medalha de prata”, diz Nadège.
A experiência convenceu o casal a procurar outro cavalo de Figueiras. Acabaram por importar um potro jovem chamado Prodigio MVL, filho de Dragão das Figueiras. A decisão foi tomada depois de verem apenas uma fotografia do potro recém-nascido. “Vi a fotografia quando ele tinha apenas 24 horas de vida e apaixonei-me imediatamente por ele”, diz Nadège. O Prodigio MVL foi posteriormente importado para o Canadá e, desde então, tornou-se uma das peças-chave do seu programa de criação.
Atualmente, o garanhão está a treinar com a cavaleira internacional Béatrice Boucher, na Flórida, com o objetivo de atingir o nível de Grand Prix no futuro. Para Nadège, as qualidades que mais a impressionaram nos cavalos de Figueiras continuam a ser o seu carácter e a facilidade de montagem. “O temperamento é excecional”, afirma.
O garanhão vive ao ar livre, tanto em casa como nas instalações de treino, mantendo sempre a atitude calma e cavalheiresca que a convenceu inicialmente a investir nesta linhagem. Nadège também acompanha de perto outros garanhões do programa Figueiras. “O Oscar das Figueiras é um cavalo fantástico”, afirma ela. Apesar de já possuir um filho do Dragão, gostaria ainda assim de recorrer ao Oscar no futuro. “O Oscar traz algo de diferente através da sua linha materna”, explica ela.
Embora as linhagens Figueiras ainda não sejam muito conhecidas no Canadá, Nadège espera que isso mude. «O nosso objetivo é desenvolver mais linhagens Dragão no nosso programa de criação”, afirma. À medida que o seu garanhão começa a competir e a gerar descendentes, ela acredita que mais cavaleiros e criadores canadianos irão descobrir as qualidades dos cavalos Figueiras.
Para Nadège Labrecque, a história da Quinta Keberica resume-se, em última análise, à paixão pelo cavalo lusitano e pelas pessoas que dedicam as suas vidas à sua criação.
Entraremos em contacto consigo pessoalmente.

Paulo Caetano